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domingo, 10 de outubro de 2010

Pensamento

Eureka! O vinho realmente é feito de uva!

Não se assustem, meus queridos. Não achem que antes eu pensasse que o “exilir dos deuses” fosse feito da mandioca ou que eu fosse (e talvez ainda seja) um sético que negasse a fundo a procedênia do vinho. Se trata apenas de ter comprovado pela primeira vez, com meu próprio paladar, tal fato. Faço uma analogia. Imaginem que após anos escutando que a terra é redonda, de repente tenham tido a oportunidade de flutuar no espaço, vendo nosso planeta de cima, e podendo comprovar tão repetido e indiscutível fato por si próprio. Pois é, descobri por mim mesmo que o vinho vem da uva. Explico.

Virou um cliché em nossa sociedade dizer “Não tenho tempo para isso”, “me falta tempo” ou “quem dera eu tivesse tempo para tal coisa”. Sou da humilde opinião que, apesar de verdade em várias situações, muito se resuma a uma questão de prioridades e disciplina. Tomem o meu exemplo de hoje e reflitam por si sós.

Já faz um tempo agora que me interesso por música clássica e por um belo prato de comida, especialmente se preparado na hora. Tenho experimentado muitos queijos, vinhos e compositores diferentes. Muitas vezes, ponho música clássica para tocar e vou lavar vasilhas ou sirvo um belo prato de queijos acompanhado de um delicioso vinho (o meu predileto se chama “Tokaj Aszú”, um vinho húngaro) e o degusto enquanto estudo na frente do computador, já que “não tenho muito tempo”.

Tenho também uma inclinação para um certo egoísmo com o meu tempo tendo também dificuldades, muitas vezes, em me focar no que as pessoas estão falando comigo. Isso é um problema, acredito, pois acabo não “vivendo” completamente muitos destes momentos, que nunca se repetirão.
Pois hoje, após preparar um delicioso prato de cogumelos com feijão (sei que soa estranho, mas acreditem, fica um delícia e meus vizinhos adoram) e me servir uma bela taça de vinho, já me dirigia em direção ao meu laptop. Até que tomei uma decisão drástica: resolvi que comeria em cima de uma mesa que tenho só para refeições, com uma vela acessa, a luz bem fraca e sem meu laptop. O toque final: ouviria músicas clássicas que adoro e estão gravadas em meu Ipod.

Hoje foi um dia histórico para mim. Acho que nunca senti tanto o real gosto de um prato de comida, de um delicioso cogumelo, e nunca experimentei tão bem a música clássica. Prestei atenção a cada mordida, a cada vez que o alimento tocava minha língua, a cada nota de cada música que tocava. Foi uma experiência sensacional. E sim, pela primeira vez senti o gosto de uva no vinho. Fiquei maravilhado, como uma criança.

Este pequeno momento de “meditação”, como eu o encarei, me proporcionou uma leveza imensa, mas creio que também uma lição de vida. Decidi que a partir de hoje, farei minhas refeições dessa maneira aos domingos. Cada domingo, um prato novo, um vinho diferente e músicas até então desconhecidas, uma vez que foram ouvidas sem a devida atenção que merecem.
Acredito também que assim, estarei investindo ao mesmo tempo em meu aprimoramento pessoal, uma vez que este “achar um pouquinho de tempo” pode ser bastante necessário quando eu estiver em um casamento, em casa com meus futuros filhos, com amigos, com pessoas que amo (tais como minha mãe), mas que muitas vezes, foram vítimas da minha “falta de tempo”. Não que o tempo brote em árvores, mas pelo menos, podemos tentar manejá-lo com mais cuidado e respeito.
Termino estes meus pensamentos com uma frase que gostaria de entitular como pertencendo a um campo de estudos que chamarei de “culinária filosófica”. A frase é de nosso querido e sábio Mário Quintana:

"Por mais raro que seja, ou mais antigo
Só um vinho é deveras excelente
Aquele que tu bebes, docemente
Com teu mais velho e silencioso amigo".

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